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quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Quim ou Moreira 

Os adeptos benfiquistas têm-se entretido a discutir quem é melhor guarda-redes para a baliza do Benfica: Quim ou Moreira. Trapattoni e Scolari parecem ser os teimosos com mais argumentos, nem que seja porque são eles quem tem permissão para decidir. E têm optado por Quim, segundo consta para vender o passe do atleta, no final da época, por um valor mais atractivo para os cofres da Luz.
Julgo, no entanto, que deviam ser vendidos ambos os guardiões do templo encarnado. Passo a explicar.
O objectivo é ter um guarda-redes o mais capaz possível para exercer a função. Existem dois que têm características especiais e bem mais válidas: em Inglaterra, o Slip, que joga no Southampton, e em França, o Soutien, que alinha pelo Rennes. As enormes capacidades desses jogadores derivam do facto de até conseguirem segurar duas bolas ao mesmo tempo.
Resta aos responsáveis do grémio da Luz decidir se preferem um goleiro com mais apetência para as bolas aéreas ou para as rasteiras: Soutien e Slip, respectivamente!
Esclarecidos?!

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quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Medidas do Governo 

José Sócrates deu hoje à noite uma conferência de imprensa para falar das suas medidas iniciais enquanto primeiro-ministro de Portugal.
Já se sabia que as obras públicas iriam sofrer uma suposta melhoria com o alargamento da Via do Infante, no Algarve. Mas o novo líder português não se fica por aí e avançou há poucos minutos alguns progressos a nível ambiental: “prometemos aos portugueses que ia chover e, desde domingo, temo-lo conseguido, com especial incidência no dia de hoje, conforme todos puderam comprovar”. Interessados nesta matéria, os jornalistas quiseram saber como é que o Partido Socialista conseguiu tal façanha, ao que Sócrates esclareceu: “fizemos um protocolo extremamente interessante com São Pedro, em que todas as partes envolvidas ficam a ganhar”. A Confederação de Agricultores Portugueses já apoiou esta medida governamental.
Quanto à composição do próximo governo constitucional, o líder socialista nada quis adiantar.

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segunda-feira, fevereiro 21, 2005

São rosas, senhor, são rosas 

Ontem estava a olhar para o mapa de deputados eleitos para o parlamento português e pensei que o País estivesse com aquele problema que nos entra pelos olhos dentro quando vamos a algum centro de saúde nacional: a rosácea. Mas não, era mesmo uma maioria absoluta de deputados para o Partido Socialista.
Voltei a olhar para o mapa e, tirando ali a zona de Leiria, vi uma mancha de tal forma grande que me lembrei da onda gigante, ou seja, deparei-me com um Tsunami de rosas com aquela minúscula rocha na zona centro do país.
Convém esclarecer que o Tsunami não é motivo de risota e espera-se que esta onda de tom florido não tenha os efeitos devastadores da original...

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domingo, fevereiro 20, 2005

Uma balbúrdia 

Esperamos todos que os resultados eleitorais das Legislativas, realizadas hoje, não signifiquem que vamos ter muita filosofia socrática e pouca acção.
Para já, sabemos que Pedro Santana Lopes quer mesmo candidatar-se à Presidência da República: "amo Portugal" disse o líder do PSD no seu discurso de derrota.
O Paulinho é que bateu frontalmente com a porta, ou com as portas, apesar de ter tido os resultados do costume.
Não sei é que papel vai ter Louçã nesta legislatura. É que vi-o qual Trotsky num discurso alegre, radiante, de quem quer fazer das Berlengas um Arquipélago de Gulag.
Uma última palavra para Jerónimo, sereno, já com voz e a mosrar-se pronto a alertar para todos os erros do próximo Governo.
Mudaram os actores, vamos ver como corre a peça.

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sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Até um cego via 

Não sou homem de contestar arbitragens mas o que aconteceu há poucos minutos no Restelo, no Belenenses-0-Porto-1, foi risível.
Como é que o senhor Carlos Xistra não viu aquela falta, mais nítida do que água, sobre o Lourenço? Apesar do atleta ser escuro como a noite, até Camões entretido na sua Ilha dos Amores teria visto aquela falta. Vou mais longe: Stevie Wonder teria visto aquele roubo.
Perante este cenário, tudo me leva a crer que o Apito Dourado não existe e é uma criação dos media. Se assim não for, o árbitro Carlos Xistra terá de ser mais um a ser indiciado no processo.
Como é que num país que se diz laico, é a equipa do Papa Pinto da Costa a ser sempre beneficiada?
É sistemático meus caros, é sistemático!

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quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Grande músico 

Leonardo lecciona educação musical numa escola primária do Restelo, onde os petizes pagam uma bela maquia em Euro para ter actividades extracurriculares.
Formado no Conservatório Nacional, Leo, como lhe chamava a mãe, é natural de Santos-o-Velho. Nesse bairro, aliou a educação conservadora da sua família a algumas raízes populares que o convívio com os seus vizinhos e, posteriormente, alguns amigos lhe conferiu. Foi nessa Babel de comportamentos que aprendeu algum do melhor calão lisboeta.
Aquela ambiguidade entre os recitais que dava, qual Mozart, para as várias Sissi que a sua vida teve e o pintas de faca na liga, sempre teve algum encanto.
E eis que um dia, almoçando em plena Madragoa com Octávio, fica deslumbrado com a empregada de mesa do restaurante. Nessa altura, vira-se para o amigo e atira, ao estilo do B-A-BA, que é como quem diz, do DÓ-RÉ-MI-FÁ-SOL-LA-SI: “Dava-lhe o MI, em cima de SI, sem DÓ”. A rapariga era, de facto, deslumbrante, mas nunca Octávio pensou que Leonardo fizesse música com as palavras.
Mais, ele fez das notas música, o que é um excelente prenúncio para se tornar Ministro da Economia em Portugal. Porque precisamos de notas que sejam realmente música para os nossos ouvidos!

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terça-feira, fevereiro 15, 2005

Uma bela armadilha 

O debate de há pouco com os líderes dos cinco principais partidos políticos portugueses foi uma bela armadilha que a RTP armou aos eleitores.
Não vou pelo discurso defensor de que os políticos são todos iguais, até porque há uns piores do que outros. Não julgo sequer que se lhes deva tirar a voz como os micróbios do frio polar fizeram a Jerónimo de Sousa.
Basta lembrar-me de uma das poucas frases interessantes ouvidas em telenovelas, séries, filmes ou coisa que o valha, já lá vão largos anos: "quando se faz uma pergunta a alguém, dá-se uma hipótese para que essa pessoa possa mentir".
Ainda bem que só falaram quatro!

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domingo, fevereiro 13, 2005

Esquerda e Direita 

Estava a reler um conto de “O General e o Juiz”, de Luis Sepúlveda, quando o meu telefone tocou. Do outro lado, estava o editor do Giba Um, um blogue brasileiro bastante preocupado com a política portuguesa. O respeitável senhor pediu-me que traçasse o perfil de Pedro Santana Lopes, candidato do PSD a primeiro-ministro.
Comecei por pôr o texto de Sepúlveda no ecrã: “Tinha outros defeitos, Allende, e ofereço-os a Lafourcade: gostava de mulheres, de todas. Bebia Chivas de 12 anos. Adorava o gelado de coco do Copelia. Detestava os poemas de Neruda e admirava, por exemplo, León Felipe. Costumava dizer que o vinho é tinto e os restantes, imitações. Coleccionava gravatas italianas. Era um amante da boa massa, um cavaleiro estupendo, e a amizade era para ele um culto. O seu pensamento político esteve sempre mais próximo de Gramsci do que de Marx”. Posto isto, parti para a minha análise.
“Não tinha defeitos, Santana, era sim uma vítima. Todas as suas acções e opções eram legítimas: gostava de mulheres, de todas. Bebia vodka polaco e adorava o tiramisú do Gambrinus. Detestava naturalmente Agustina Bessa-Luís, apesar dela o apoiar. Coleccionava filhos de mulheres várias. Era amante dos bons hot dogs que se vendiam em frente à Kapital. O seu pensamento político esteve sempre mais próximo de Sá Carneiro do que de Cavaco”.
Ou seja, de esquerda ou de direita, os bons políticos têm em comum gostar de mulheres. Quer dizer, alguns, alguns...

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quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Uma salva ao Palma 

Hoje vou falar de coisas sérias: drogas. Para ser mais preciso, bebidas alcoólicas e as drogas consideradas duras, nomeadamente, haxixe, heroína, cocaína, ácidos. Tudo por causa de Jorge Palma. É verdade.
Vi o cantor e compositor ser entrevistado por Ana Sousa Dias no programa “Por outro lado”, da RTP. E gostei! Já é um enorme prazer ver a entrevistadora naquele seu estilo peculiar de quem tem dúvidas, de quem não quer atrapalhar – e bem – o entrevistado, de quem conduz a conversa ao ritmo do “tudo o que eu te dou”, do Pedro Abrunhosa, impondo o “pára, recomeça, faz-me acreditar”. Mas com Palma teve outro brilho.
Jorge falou com abertura dos seus problemas com o álcool, com as drogas, e da doença que teve e que o impossibilitou de cometer excessos. Não posso precisar as suas palavras mas disse algo como “tive de parar de beber para continuar a viver e hoje sinto-me melhor sem o álcool”. Continua a beber um ou dois copos de vinho se a ocasião for “especial” mas largou a cerveja e o whisky, “porque a vida é muito valiosa”.
Uma salva de palmas ao Palma. Duas salvas. Muitas salvas. Porque quem fala assim merece: a sério!

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quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Conselhos de pai 

Gabriel Alves é um nome forte do comentário desportivo. Mantém-se forte mesmo depois da estrondosa dieta que fez. Os seus comentários, sempre justos, são assaz corrosivos.
Há pouco, no República da Irlanda-Portugal que perdemos por 1-0 (resultado idêntico a um de 1995 em que Vítor Baía deu um frango como só ele sabe dar!) ouvi-o indignado com Cristiano Ronaldo: “tem de passar a bola, por que é que ele não passou, já não é a primeira vez”.
Estava atento como sempre, mestre Gabriel, e eu aplaudi do meu sofá. Passado uns minutos, Ronaldo volta a optar pelas jogadas individuais e Gabriel torna a não gostar. Não fosse o nosso rei do comentário desportivo tão tolerante e era vê-lo, qual pai, a repreender o miúdo do Manchester United: “porra pró puto, madeirense dum cabrão, não passa a merda da bola, raios o partam”.
Gabriel Alves controlou-se porque é um senhor mas falámos logo a seguir ao jogo e ele garante-me que foi isto que pensou.

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terça-feira, fevereiro 08, 2005

Ninguém leva a mal 

O Carnaval ganhou este ano uma magia que eu já não descortinava há décadas, a ponto de ter desejado mascarar-me à Super-Homem. Apesar de remeter para algum egocentrismo, era um bonito disfarce para “moi-même”. Só desisti rapidamente dessa ideia porque fiquei engripado uns dias antes e se há coisa que o Superman não faz é espirrar.
Abatido pela gripe, pensei processar o São Pedro por não ter amenizado este frio polar com umas litradas de água. Litrada puxa litrada, Pedro puxa Pedro, agarro no telefone: “Estou, Santana, preciso que me aconselhes juridicamente”. Ele lá responde: “eh pá, ando muito atarefado com a campanha do PPD/PSD mas, como é para ti, diz-me o que se passa”.
Expliquei-lhe tudo meticulosamente e tive o seu total apoio: “até podemos ir juntos, pá, é uma forma de nos vermos”. Ou seja, um processa as empresas de sondagens e o outro processa o São Pedro.
Espero é que não haja confusões notariais quando eu disser que vou processar São Pedro. É que se o Santana Lopes ganha as eleições, ainda é canonizado, e arrisco-me a perder um amigo!

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segunda-feira, fevereiro 07, 2005

O poeta do Magreb 

Trabalhava na minha tasca quando irrompeu o argelino Karim Louni. Como o achei com ar de perigoso bombista, disse-lhe bom dia com um ar circunspecto, que até me ficou bem, e pedi-lhe o passaporte.
Ele lançara um “do you speak english?” que eu contrapus com “a little”. À laia de poliglota rematou um “français?”. E eu, parco em meiguices, disse-lhe “aussi”.
Mas ele preferiu o inglês e continuou, perguntando-me onde havia um banco. Pensei: “pronto, este maduro vai dar cabo das contas da Caixa”. Fiquei preocupado, pois fiquei. Sempre está lá o dinheiro de quatro milhões de portugueses, mais do que aqueles que se vão dignar a votar.
Servi-lhe então a pirâmide e o galão e perguntei-lhe se ele estava em Portugal por causa do Manuel Alegre. Ele anuiu, avançando que o conhecera em Argel, na altura do exílio. Ainda lhe expliquei que o Sócrates é que era o candidato socialista às Legislativas, não o poeta Alegre, pelo que ele ficou na dúvida se ia ao comício do PS. Estava agendado para a Cova de Iria... só para fazer moça ao PP, entenda-se.
Antes de sair, Karim Louni ainda me deu o título do seu novo livro de poesia, já traduzido em português. Agradeci-lhe e despedi-me com um “mechi” que o cobriu de espanto. Ele não sabe mas a verdade é que aprendi a dizer adeus, em árabe, quando estive nas montanhas do Afeganistão!

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domingo, fevereiro 06, 2005

1...2....3...Acção 

Arrancou hoje a campanha eleitoral e os principais partidos começaram pelo interior, o que denota uma clara lembrança do Portugal esquecido. Aliás, Castelo Branco é a cidade ideal para se iniciar uma campanha: tem o Benfica local e isso justifica tudo.
Para quem não sabe, o primeiro dia de PS e PPD/PSD na mesma cidade foi também o passo que nos remete para aquilo que vamos ter: um novo Bloco Central, tipo defesa do Chelsea!
E que ninguém estranhe, até porque Sócrates já foi laranja e agora virou rosa, o que não teve nada a ver com as tais “brejeirices” de que o mesmo se queixou. Mesmo assim, não sei se os dois juntos, Pedro e José, fariam um bom candidato; na RTP, raramente fizeram um bom comentário. Adiante!
Inquieta-me se PSD e PS começaram a campanha em Castelo Branco por causa do Zé, o tal que é muito famoso. O Pedro deve ser seu amigo íntimo do circuito jet-set e o Zé, o mais dado a filosofias, além de homónimo, também partilhará, certamente, o horror às brejeirices. Mesmo assim...
Não fosse Saramago um homem de esquerda tão contraditório e era nele que votava, quer dizer, na lucidez do voto em branco. Mas como votar incolor é votar no vazio e votar no vazio é votar em todos os partidos e na ausência de ideias profícuas que cada um ostenta, vou ter de reflectir em quem voto.
Por que raio Manuel João Vieira não legaliza o seu partido? Seria catita, sem sombra de dívidas – de dúvidas, desculpem!

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sábado, fevereiro 05, 2005

Grande Cadete 

Lembram-se de Jorge Cadete, aquele jogador que quando era atleta do Sporting fazia do cabelo uma autêntica juba de leão, e quando representou o Celtic Glasgow ouvia os cânticos dos seus adeptos pronunciando “Go George Cadet, put the ball in the net!”?
Pois é, o homem de quem falo teve uma das melhores pérolas de sempre no futebolês português. Estava eu a ver o inesquecível Portugal-5-Escócia-0, na RTP Memória, quando se dá a substituição de Cadete, devido a lesão, por Domingos Paciência. Carlos Albuquerque abeira-se do atleta para as perguntas de circunstância. Cadete diz que foi bom jogar de início e ter algum tempo para mostrar o seu valor e marcar dois golos. Procurando mudar de assunto e saber qual o estado clínico do futebolista, o então jovem Carlos avançou: “está magoado?”. Cadete respondeu: “não, estou até muito feliz”.
O quê? Como? O homem passou-se? Talvez. Carlos Albuquerque lá formulou outra questão: “está lesionado?”. E Cadete: “Ah, sim, já vinha com uma contratura e hoje agravou-se...”.
Pouco mais interessa. Quem viu Cadete no Big Brother Famosos tinha a certeza que ele não seria muito são, mas só este documento da RTP Memória o podia comprovar. Uma grande salva de palmas para Cadete!

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